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Açaizais da Amazônia vão ganhar aplicativo para manejo da produção

16 de fevereiro de 2023

Cadeia do açaí movimenta R$ 5,3 bilhões por ano e é referência do potencial da bioeconomia do país
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Açaizais da Amazônia vão ganhar aplicativo para manejo da produção
FabioSianMartins/Embrapa Açaí gera gera renda às comunidades e é símbolo da bioeconomia

A unidade Amazônia Oriental da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) localizada em Belém (PR), prometeu para este primeiro semestre uma ferramenta digital destinada ao manejo de açaizais nativos. Trata-se do aplicativo “Manejatech Açaí”, que já foi validado pelos moradores da Comunidade Santo Ezequiel Moreno, em Portel, na região do Marajó, no final de novembro passado.

Na ocasião, cerca de 20 manejadores e manejadoras, além de extensionistas rurais, conheceram a ferramenta e testaram a interface e a usabilidade. A validação aconteceu no Centro de Referência em Manejo de Açaizais Nativos do Marajó (Manejaí Portel).

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Embrapa/Divulgação
Aplicativo em processo de validação em comunidade no Pará

A ferramenta, que está em desenvolvimento pela Embrapa e empresa Equilibrium Web, otimiza etapas da tecnologia de manejo de mínimo impacto de açaizais nativos. O Manejatech Açaí atua diretamente no processo de registro e inventário local para auxiliar a decisão do manejador e manejadora sobre quais árvores devem ser mantidas, plantadas ou removidas.


“A etapa de validação é muito importante para nos dizer se estamos no caminho certo, se é preciso ajustar rota e para trazer melhorias à ferramenta com o intuito de que ela de fato atenda às necessidades dos usuários”, explica Michell Costa, analista de sistema da Embrapa Amazônia Oriental, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da aplicação. O aplicativo faz parte do projeto Infobee, executado pela Embrapa Amazônia Oriental e pela empresa de TI Equilibrium Web.

Amplamente consumido pelas populações locais, o fruto amazônico passou a ganhar relevância nacional a partir dos anos 2000 e começou a galgar o mercado externo, principalmente de olho no consumo dos países asiáticos. Segundo a Embrapa, “a estimativa é de que somente no estado do Pará sejam consumidas cerca de 300 mil toneladas de açaí anualmente.

Para fora do mercado paraense, cerca de 150 toneladas de açaí são consumidas anualmente no estado de São Paulo, 500 toneladas no Rio de Janeiro e 200 toneladas nos demais estados. Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), de 2021, mostram que a cadeia de valor da fruta foi de R$ 5,3 bilhões, para uma produção de 1,485 milhão de toneladas. São 47.866 unidades produtivas que ocupam uma área de 208 mil hectares, com uma produtividade média de 7.136 Kg por hectare.

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RonaldoRosa/Embrapa
Açaizeiro nativo com exploração da fruta

O Pará é, disparado, o maior produtor da fruta, com 1,3 milhão de toneladas, daí a importância de iniciativas como a elaboração de um aplicativo para as plantações nativas. O açaí é uma das bandeiras da bioeconomia do país, ainda com um grande potencial inexplorado.

Na Amazônia, a polpa usada para preparar açaí é retirada do fruto de duas espécies de palmeira: Euterpe oleracea, o açaí-de-touceira, que ocorre predominantemente no Leste da Amazônia, de onde sai a maior parte da produção, e Euterpe precatória, o açaí-solteiro, que ocorre no Oeste.
Costa explica sobre a importância das oficinas de validação. “Conseguimos identificar junto aos usuários as necessidades de ajustes e incorporar novas funcionalidades para que o aplicativo retrate a realidade local e a rotina de uso dos manejadores.”

Uma das melhorias sugeridas, de acordo com Sara Gomes, moradora da comunidade Santo Ezequiel Moreno (Portel), é diferenciar no registro da produção de frutos o que vai para o consumo da família e o que vai para a comercialização. “O aplicativo é uma excelente ferramenta e vai melhorar o controle da nossa produção”, afirma Gomes, que ajuda o pai no manejo do açaí.
Para o extensionista rural Sidney da Silva Ribeiro, que é coordenador do escritório da Emater Pará em Muaná, na região do Marajó, o aplicativo é plenamente viável e deve trazer mais agilidade na avaliação e tomada de decisão dos manejadores.

“O inventário é realizado através de planilhas impressas e o manejador precisa fazer manualmente a contagem de plantas e os cálculos que subsidiam as intervenções na área. Já com o Manejatech a própria ferramenta faz os cálculos e fornece as informações necessárias para as intervenções no açaizal”, diz ele. Mas, para Ribeiro, há um grande desafio na implantação, que é o entendimento da tecnologia.

Não por acaso, o grupo que participou da oficina de validação do aplicativo Manejatech Açaí está se reunindo com todos os manejadores locais para apresentar a ferramenta e apoiar no processo de adaptação à tecnologia. “Estamos mostrando o aplicativo para quem não participou da oficina. O Manejatech vai facilitar muito a vida do manejador, principalmente em relação à planilha manual do inventário.”

Por Forbes

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