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Abordagens sobre a próxima Safra de café do Brasil

As variações constantes do cafezinho nosso de cada dia evoluíram numa dança meio maluca nesta safra, dificultando uma avaliação mais certeira e, até causando instabilidades no setor. Este ano atípico de 2020 levou analistas a algumas discordâncias no quesito projeção.
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Abordagens sobre a próxima Safra de café do Brasil
Impactos x momentos de negócios rentáveis: a projeção pode esperar!
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Impactos x momentos de negócios rentáveis: a projeção pode esperar!

As variações constantes do cafezinho nosso de cada dia evoluíram numa dança meio maluca nesta safra, dificultando uma avaliação mais certeira e, até causando instabilidades no setor. Este ano atípico de 2020 levou analistas a algumas discordâncias no quesito projeção.

O sobe e desce do preço do café foi comentado pelo especialista Marcus Magalhães (Negócio Rural) que cita uma conjugação de fatores, como baixa do dólar, possibilidades de chuvas em regiões produtivas, secas e geadas, bolsas em baixa, níveis de preços rebaixados, e conclui que a boa notícia é que o mercado, em novembro, já pôde expurgar a ‘gordura especulativa’ desse período, abrindo uma janela para se vislumbrar a próxima safra produtiva.

Já os apontamentos do relatório do Rabobank analisam que a próxima safra brasileira de café (2021/22), a ser colhida no ano que vem, deverá atingir 60,7 milhões de sacas de 60 kg, queda de 10% ante as 67,5 milhões de sacas do ciclo anterior. Estima-se que a produção será menor devido à bienalidade negativa da variedade de café arábica e também por problemas climáticos.

A safra de café arábica foi estimada em 40,5 milhões de sacas, queda de 17,3% ante 2020/21. Ainda de acordo com a avaliação do banco, ‘o ciclo seria naturalmente menor devido à bienalidade produtiva, porém, existe uma preocupação adicional, uma vez que as chuvas retornaram apenas em novembro nas áreas de café arábica. Será importante a manutenção das precipitações’.

E continuam: Para o conilon brasileiro, ‘a situação segue favorável, com as lavouras apresentando ótimo desenvolvimento’. A safra dessa variedade foi projetada em 20,2 milhões de sacas, ante 18,5 milhões no ano anterior. (Fonte: Reuters)

O capixaba conilon

Sobre o capixaba conilon, é bom saber que o café brasileiro está inserido no programa de melhoramento genético. A produção mundial no ano cafeeiro de 2019/2020 com 72,7 milhões de sacas da espécie conilon, apresentou volume que equivale a 43,3% do total. No Brasil a produção é estimada em aproximadamente 60 milhões de sacas de 60kg, dos quais 45 milhões de café arábica e 15 milhões de conilon.

Os três principais estados produtores do Brasil, em ordem crescente, são: Bahia com a média da safra estimada em 2,2 milhões de sacas, Rondônia com 2,3 milhões e o Espírito Santo, maior produtor brasileiro da espécie, com a safra estimada em aproximadamente 10 milhões de sacas, volume que representa 66,6% da produção brasileira e 13,7% de toda a safra mundial da espécie.

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper investe em pesquisas e no desenvolvimento de tecnologias no Estado do Espírito Santo há mais de 40 anos.Dentre as pesquisas realizadas pelo Incaper está o desenvolvimento de cultivares de cafeeiro que sejam adaptadas às características climáticas do Estado, além de possuírem outros atributos positivos como alta produtividade, tolerância e resistência a pragas e doenças. Outra tecnologia desenvolvida pelo Incaper e com grande destaque no Estado é a Poda Programada de Ciclo – PPC, para o café conilon.

Opinião do Conselho Nacional do Café – CNC

Ao analisar o presente cenário do mercado, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, diz que é cedo para saber impacto da estiagem nos cafezais do Brasil. E ele sugere atenção a produtores, para não se deixarem levar por informações sem fundamentos ou que consideram parte pelo todo. “Como usualmente, esta época do ano é marcada pela intensificação de especulações a respeito da safra de café do Brasil, com agentes internacionais supervalorizando a estimativa e, internamente, líderes emergindo com discursos e cálculos cabalísticos, equivocadamente pensando que trarão alguma influência ao mercado”, expõe.

Para ele, a multiplicidade de informações só tende a atrapalhar o setor, principalmente o produtor, que é o elo mais sensível da cadeia produtiva e pode ser influenciado, deixando de realizar negócios em momentos interessantes e rentáveis do mercado.

“É importante que os produtores se atentem a números oficiais e críveis e quem apresenta esses dados da produção são as reais entidades representantes de classe, como o CNC e a Comissão Nacional do Café da CNA, além dos nossos órgãos parceiros estaduais e, principalmente, a Conab”, explica Brasileiro.

O presidente do CNC enfatiza que é muito cedo para se prever o tamanho da próxima safra, principalmente porque não houve tempo hábil para analisar todo o impacto que a seca e as altas temperaturas recentes tiveram sobre as lavouras em todo o país. “Precisamos, também, ver qual será o comportamento do clima até janeiro, pois esse é um fato decisivo para observarmos recuperação ou a depauperação de fato de lavouras que foram muito afetadas”, analisa.

Silas também pontua que as entidades de pesquisa e extensão vêm realizando essa apuração em seus respectivos Estados, motivo pelo qual não se deve dar atenção às inúmeras especulações que são lançadas nas redes sociais e na imprensa, notas precipitadas que mostram uma parte da informação agindo como o todo. E ele conclui: “Diante dessa necessidade de tempo para apurar os reais impactos da estiagem e do calor, atendendo a um pleito do CNC, a Conab confirmou que só apresentará seu primeiro levantamento à safra 2021 de café do Brasil na segunda quinzena de janeiro, após avaliação que considerará os impactos climáticos até o fechamento de 2020”.

Fonte: CNC

Por: Equipe Agrovenki